.:: Blog do Hot Wills ::.  


Quando ela vem...

Tem dias em que ela, a tristeza, vem com tudo. Chega inesperadamente e quase arma um barraco, tal qual é a força de sua entrada. Puxa, e ela nem foi convidada! Saco. Ok. A vida é dura, como diria Adriana Calcanhoto. Então, se você for vivo, receberá sua visita vez por outra. E já que ela chegou..

Que seja bem recebida. No momento, com uma antiga canção da Adriana Calcanhoto, para que você possa cantar junto com ela: "Eu vou derramar no seu gosto o resto da minha alegria". E com uma leitura daquele velho livro do Pessoa, aberto em cada uma das visitas dela desde os seus 15 anos de idade. "No dia triste, meu coração mais triste que o dia." Os amigos vão logo saber que você tem visita. Já que você e a tristeza em geral se recusam a sair juntas. Ela prefere ficar em casa, que é lugar quente. Não gosta de se demonstrar escandalosamente nas ruas. Discreta, essa sua tristeza que te visita.

Assim como chegou de surpresa, ela vai. É uma visita relâmpago, E, nossa, ainda bem que seja assim. No dia seguinte ela já foi embora. Claro, você fica meio baqueada com a visita. Ela deixa de lembrança um certo cansaço, os olhos ainda inchados. Mas mesmo assim, algumas horas depois dela ter ido embora, você pinta os olhos só de raiva. E, para se vingar da visitante, pinta as unhas com um esmalte chamado Desejo. Existe, juro, é da Risquê. 


Escrito por William às 01h20 [   ] [ envie esta mensagem ] [ ]





A saga do TCC

A partir de hoje o meu blog deixa de se chamar “Blog do Hot Wills” e se chamará “A saga do TCC”. Surtei!!! Deu aquele desespero do tipo "não vou conseguir fazer isso nunca" Porque eu inventei de fazer um livro de 145 páginas para o meu TCC que o tema é “Design e Surf”; vamos admitir tem que ser muito Design para fazer um livro com esse tema. Mais aprendi algumas lições indispensáveis para quem está fazendo loucura que se chama TCC:

Lição número UM: Sempre anote toda e qualquer referência bibliográfica. Uma parte importante do TCC é encher de linhas na página final. Dá respeitabilidade para seu trabalho. Parece intelectual.

Lição número DOIS: Não saia de balada nem para barzinhos quando você tem algo realmente importante para entrega no outro dia. Afinal, você corre o risco de acordar de ressaca.

Lição número TRÊS: Faça uma poupança, eu já estourei todos os limites possíveis e imagináveis. O limite de cartão de crédito (e olha que é super alto o valor), o limite do banco e o limita da minha paciência.

Lição número QUATRO: Não faça mais nada além da droga do seu TCC, inventei de começar um curso de inglês e estou com sensação que vou ficar louco; para compensar acabe trancando os cursos de alemão e ilustração.

Lição número CINCO:  Coma chocolate, afinal, é comprovadamente que tal substância alivia tenções e desespero!


Escrito por William às 22h31 [   ] [ envie esta mensagem ] [ ]





Falsas verdades.

Estava conversando com uma amiga após a saída da faculdade, sobre os mitos e mentiras que nossa cultura expõe em prateleiras enfeitadas, para que a gente enfie esse material na cabeça e, pior, na alma - como se fosse algodão-doce colorido. Com ele chegam os medos que tudo isso nos inspira: medo de não estar bem enquadrados, medo de não ser valorizados pela turma, medo de não ser suficientemente ricos, magros, musculosos, de não participar da melhor balada, de não ter o namorado mais bonito, do clube mais chique, de não ter feito a viagem certa nem possuir a tecnologia de ponta no celular. Medo de não ser livres.
Na verdade, estamos presos numa rede de falsas liberdades. Nunca se falou tanto em liberdade, e poucas vezes fomos tão pressionados por exigências absurdas, que constituem o que chamo a síndrome do "ter de". Fala-se em liberdade de escolha, mas somos conduzidos pela propaganda como gado para o matadouro e eu como estudante de design sei muito bem disso, e as opções são tantas que não conseguimos escolher com calma. Medicados como somos (a pressão, a gordura, a fadiga, a insônia, o sono, a depressão e a euforia, a solidão e o medo tratados a remédio), cedo recorremos a expedientes, porque nossa libido, quimicamente cerceada, falha, e a alegria, de tanta tensão, nos escapa.

Preenchem-se fendas e falhas, manchas se removem, suspendem-se prazeres como sendo risco e extravagância, e nos ligamos no espelho: alguém por aí é mais eficiente, moderno, valorizado e belo que eu? Alguém mora num condomínio melhor que o meu? Em fileira ao longo das paredes temos de parecer todos iguais nessa dança de enganos. Sobretudo, sempre jovens. Nunca se pôde viver tanto tempo e com tão boa qualidade, mas no atual endeusamento da juventude, como se só jovens merecessem amor, vitórias e sucesso, carregamos mais um ônus pesadíssimo e cruel: temos de enganar o tempo, temos de aparentar 15 anos se temos 30, 40 anos se temos 60, e 50 se temos 80 anos de idade. A deusa juventude traz vantagens, mas eu não a quereria para sempre: talvez nela sejamos mais bonitos, quem sabe mais cheios de planos e possibilidades, mas sabemos discernir as coisas que divisamos, podemos optar com a mínima segurança, conseguimos olhar, analisar e curtir - ou nos falta o que vem depois: maturidade?

Parece que do começo ao fim passamos a vida sendo cobrados: O que você vai ser? O que vai estudar? Como? Fracassou em mais um vestibular? Já transou? Nunca transou? Treze anos e ainda não ficou? E ainda não bebeu? Nem experimentou uma maconhazinha sequer? E um Viagra para melhorar ainda mais? Ainda aguenta os chatos dos pais? Saiba que eles o controlam sob o pretexto de que o amam. Sai dessa! Já precisa trabalhar? Que chatice! E depois: Quarenta anos ganhando tão pouco e trabalhando tanto? E não tem aquele carro? Nunca esteve naquele resort?

Talvez a gente possa escapar dessas cobranças sendo mais natural, cumprindo deveres reais, curtindo a vida sem se atordoar. Nadar contra toda essa louca correnteza. Ter opiniões próprias, amadurecer, ajuda. Combater a ânsia por coisas que nem queremos, ignorar ofertas no fundo desinteressantes, como roupas ridículas e viagens sem graça, isso ajuda. Descobrir o que queremos e podemos é um bom aprendizado, mas leva algum tempo: não é preciso escalar o Himalaia social nem ser uma linda mulher nem um homem poderoso. É possível estar contente e ter projetos bem depois dos 40 anos, sem um iate, físico perfeito e grande fortuna. Sem cumprir tantas obrigações fúteis e inúteis, como nos ordenam os mitos e mentiras de uma sociedade insegura, desorientada, em crise. Liberdade não vem de correr atrás de "deveres" impostos de fora, mas de construir a nossa existência, para a qual, com todo esse esforço e desgaste, sobra tão pouco tempo. Não temos de correr angusti ados atrás de modelos que nada têm a ver conosco, máscaras, ilusões e melancolia para aguentar a vida, sem liberdade para descobrir o que a gente gostaria mesmo de ter feito.


Escrito por William às 15h01 [   ] [ envie esta mensagem ] [ ]





A Infelicidade mora ao lado

Um dia ele acordou e descobriu a solução para a sua vida. Tentaria, como num oposto, tentar ser infeliz. Amigos, faz sentido. O que procuramos a vida inteira? A felicidade. Mas a felicidade, essa ingrata, sempre nos despreza.  E não se pode viver no desprezo.

Sim, vez por outra ela até que nos dá alguma bola, sopra coisas no nosso ouvido, molha as nossas cuecas, traz presentes, chega mais cedo em casa. Retribuímos, claro, nos sentimos finalmente existindo. Andamos pelas ruas sorrindo por nada. Tratamos a felicidade a pão de ló.  E ela? Ela logo enjoa. E nos trai.

Mas agora, tudo estava resolvido. Se casaria, para sempre, papel passado e tudo, coma Infelicidade. Sua vida se transformaria, a partir de então, num paradoxo lindo. Ao contrário da outra – da ingrata, desclassificada, simplória -  a Infelicidade está sempre pronta para nós.  Ela nos paga bebidas, nos faz cafuné, dorme conosco e também faz companhia nas insônias e noites mal dormidas. Ela nos ajuda a emagrecer, ajuda no copydesk, ela é a nossa verdadeira amada amante.  Mesmo quando não ligamos para ela, tolos que somos, dando bola para a outra, ela espera. Espera, humilde e cheia de coragem, como são as esperas de amor. Ela sabe que sempre voltaremos para os seus braços.

Eis o paradoxo.  Dedicando à Infelicidade – servindo ovinhos mexidos pela manhã, lhe dando todo o afeto e se entregando das formas mais luxuriosas para ela -  seria assim, feliz, sendo infeliz.

E se tudo desse errado, porque tudo dá errado no final, ela seria infeliz na
sua trajetória. Sendo, então, feliz.


Escrito por William às 11h47 [   ] [ envie esta mensagem ] [ ]





No dia em que nos conhecemos...

No dia em que nos conhecemos, planejemos viajar juntos. Também pensamos em pegar um cinema e ir no churras de um amiga, onde fomos como um casal ultra Maximo. Por pouco não falamos que namorávamos. Decidimos que íamos fazer juntos dois filmes nesse dia, que irá possuir metalingüística.

 

Na segunda vez que nos encontramos, planejamos também escrever um livro, e, claro, pensamos no título e na festa de lançamento. Existiam muitas pessoas um da vida do outro para se encontrar e falar uma média de 100 vezes a frase "você precisa conhecer-lo", com os olhos brilhando. Vamos fazer grandes coisas juntos. Coisas realmente incríveis.

 

Na terceira vez que nos encontramos fui surpreendido em nos mudarmos para Portugal, enquanto combinávamos o que fazer no final de semana e no carnaval. Acabamos indo viajar com os amigos. Também pensamos em assistir uma peça de teatro no outra sexta-feira, que fala sobre o cotidiano amoroso de um grupo de mulheres.

 

Mais tudo se acabou na quarta-feira de cinzas, cheguei a conclusão que todo mundo tem sua quarta-feira de cinzas. Pode ser aos domingos, às segundas, até mesmo numa quarta-feira. Tem dia que é  todo dia. Pés sujos e só a lembrança de alguma alegria, que você nem se lembra quando foi. Não importam os confetes e serpentinas, há sempre uma quarta-feira de cinzas esperando por você.  É por isso que o samba é triste. Pois tire o seu sorriso do caminho que eu quero passar com a minha dor. É no espelho que eu vejo a minha mágoa. A minha dor, e os meus olhos rasos d'água.

 

Com isso eu vou sozinho para Portugal no final do ano e deixaremos as festas a fantasias, os aniversários para outro ocasião, talvez...

 


Escrito por William às 11h38 [   ] [ envie esta mensagem ] [ ]





Fim de novela

É sempre assim: estréia a novela. Você nem passa perto. Até que um dia resolve ver. Geralmente nas últimas semanas, quando o enredo melhora. E quando você menos espera, tá lá, torcendo pelo Silveirinha!

Mas o pior é que como você nunca acompanhou, não sabe coisas básicas, tipo que a a Flora e a Donatela formavam uma dupla sertaneja. E gostaria muito de entender como a primeira dama virou uma mendiga. Ou quem sabe descobrir porque a ponta do nariz da Claúdia Raia está sempre vermelha.

Só que a maior dúvida mesmo é a seguinte: como alguém escolhe a Juliana Paes e o Márcio Garcia para serem um par romântico indiano e querm que a gente acredite?! E o píor é que no fim do ano, provavelmente eu estarei acompanhando os últimos capítulos.

 


Escrito por William às 21h39 [   ] [ envie esta mensagem ] [ ]





Coisa boa é ser amiga de ex

"Eu e meu ex no botequim falando sobre nossas vidas. As novas amizades, relações, experiências, sacações."  Jupiter Maçã. Lembram? Coisa linda essa música. E coisa mais linda poder ser amigo de ex. Sorte a nossa que consegue. Sorte e grandeza de espírito, amigo ex. Tem aquela história de que ex bom é ex morto. É nada. Amigo ex namorado pode ser tudo nessa vida.

Eles já conhecem a gente pra caramba. Já nos viram pelados muitas vezes, não é? Então, não se assustam com mais nada e não precisamos fazer tipo algum. Com amigo ex podemos chorar, falar mal dos outros e fazer aquelas piadas de humor negro com cumplicidade absoluta que ninguém nos tira. Amigo ex dá colo. E a gente também dá colo para amigo ex. Como amigo ex podemos falar mal da mãe (que eles conhecem, inclusive), falar fofocas de família e aquelas coisas íntimas que quem acabou de chegar nunca vai sacar.

É uma amizade ótima. De verdade. E eu, amigo com orgulho de vários exs, recomendo cada vez mais. Somos grandes, amigo ex, sorte a nossa.


Escrito por William às 22h50 [   ] [ envie esta mensagem ] [ ]





As liquidações de fim de ano

Funciona assim: depois de você gastar os tubos no Natal, ainda assim algumas peças encalharam nas lojas. Então, os lojistas resolvem fazer as liquidações de fim de ano, entre os dias 26 e 31. Para que otários, como você, decidam dar uma passadinha no shopping, para trocar presentes que não serviram (ou eram bizarros) e resolvam dar uma conferida nas tais liquidações.

 Resultado: você - que já tinha se dado umas roupinhas de presente, afinal, estava precisando - resolve que não pode perder a incrível liquidação da Zoomp.

 Parênteses: uma liquidação da Zoomp não é uma liquidação qualquer. É o tipo de liquidação na qual as bilus surtam, começam a ligar umas pras outras pra avisar, ficam tontas e passam mal e fazem compras incríveis.

 Pois bem: você no shopping lotado pós-natal, pra trocar uma camiseta que ganhou da Renner. Aliás, um momento de muito orgulho, pois a pessoa que deu o presente acha que eu visto P. Mas antes da Renner, você passa na Zoomp. A loja parece um campo de batalha, com roupas jogadas por todos os lados, pessoas gritando, filas em formato de caracol e você lá,  meio desnorteado. Você fala para o pretê:

 - Vai na seção masculina, daqui a pouco a gente se encontra, tenho que compra alguma jaqueta aqui pára minha mãe.

Ele:

- A fila tá muito grande, acho que não vou comprar nada.

- Mas eu vou.

 E lá se vai ele, resignado, aproveitar as super ofertas.

 E você lá, garimpando as puras pechinchas. A única coisa ruim de super liquidações é que às vezes, a etiqueta cai da roupa, tamanho o rebuliço. E na hora de pagar, depois de uma fila de meia hora, na qual o seu pretê fez a gentileza de ficar, enquanto você experimentava as calças jeans de apenas R$49,00, você descobre que as duas lindas peças sem preço, são um pouco caras.

 E a sua linda economia das liquidações de fim de ano se transformam em 5 suaves parcelas.

 Antes tivesse passado na Renner antes.


Escrito por William às 20h56 [   ] [ envie esta mensagem ] [ ]





Dicas para as festas da firma

 Quem trabalha em empresa, sabe que todo ano é o mesmo inferno: borbulhas de festas e comemorações da firma. é um almocinho aqui, um chopinho acolá e a grande festa de firma, com todos os funcionários juntos, do financeiro ao almoxarifado. Algumas dicas pra você passar essa semana incólume:

- Não beba muito. Tá certo que vai ser dificíl, afinal o álcool pode te dar certo conforto em momento tão difícil.

- Se beber muito, não dê em cima de pessoas que você vai se arrepender depois. Ainda mais se elas trabalham com você. O pior da festa da firma é quando você vira a fofoca no dia seguinte.

- Também tente não cair, caso você beba muito. Senão depois você vai ter que ficar cuidando dos ferimentos.

- Não se empolgue e comece a conversar com pessoas estranhas. Depois elas vão achar que são suas íntimas.

- Não faça nada no banheiro que você possa se arrepender depois. Ainda mais se for um beijo a três. Alguém careta de outro departamento pode entrar e ficar chocado.

- Aliás, não dê beijo a três em nenhum ambiente. Isso já passou.

- E pense: você podia estar desempregado.

 


Escrito por William às 20h18 [   ] [ envie esta mensagem ] [ ]





A arte de cair fora

Tem vezes em que a gente precisa cair fora."A Retirada", aquele hexagrama do I-Ching. "Quando não resta nada onde deva ir, ele volta". Nada como cair fora civilizadamente, educadamente, do jeito mais ok que a situação permite.

Cair fora assim é quase um milagre. Mas tem vezes em que a gente precisa cair fora, não adianta. E os amigos dão parabéns: hey, chico, você fez a coisa certa. Jarvis cantando "don't let him waste your time. Go, go, go!"

Tem vezes em que a gente precisa cair fora. Até da própria casa. Até da própria cidade. Até da própria vida. A saída é o aeroporto. E tem vezes em que a gente precisa tanto cair fora que enfrenta o caos aéreo estoicamente ouvindo Smiths no fone de ouvido. A gente precisa cair fora. E passar uma hora e meia sentada no meio de dois homens de preto só para mudar de ares, porque não basta cair fora da situação por telefone, já disse, é preciso sair um pouco da própria vida também. Mesmo que esse cair fora seja indo para Argentina (Buenos Aires) para fazer cursos de design!

Aí, quando você vê, está estoicamente viva, sobrevivente de uma confusão bem grande, firme, digno. E carente. E entediado.

Ter que cair fora é uma merda.


Escrito por William às 14h44 [   ] [ envie esta mensagem ] [ ]





 Tinha como meta fazer um vídeo através da câmera do celular para o trabalho de hipermídia (se você não sabe o que é hipermídia, pode ir correndo agora para o Google procurar) ai eu acabei gravando o espetáculo que eu fui que se chama "Fuerza Bruta". Eu coloquei o nome da Carol porque ela não tinha feito nada e ia levar nota baixa no trabalho, mais eu fiz tudo sozinho!!! Hehehe


Escrito por William às 14h34 [   ] [ envie esta mensagem ] [ ]





Karma Police

Acabei de comprar meu ingresso do Radiohead! Às 23h55, cinco minutos antes do horário oficial de vendas ter começado!

Urruuuuuu!


Escrito por William às 14h24 [   ] [ envie esta mensagem ] [ ]





Homens de preto

Ponte aerea das 18 horas. Estou cercada por homens de preto. Procuro uma alma amiga com olhar desesperado e uma menina de jeans sentada em cima da mochila sorri para mim. Somos praticamente as unicas pessoas que nao usam terno em toda a sala de embarque. Os homens de preto olham para a frente com umas caras que parecem dizer: "trabalho muito, sou muito ocupado, tenho jobs". Sim, homens de preto desprezam o portugues e preferem termos novaiorquinos. "Neoliberais de merda", eu penso. E lembro que ja quase namorei um homem de preto.

Os homens atras de mim (vestidos de preto) falam sobre um metodo incrivel de mershandising que usa TV de plasma digital. " Somos fodoes, somos homens de preto, trabalhamos muito, vivemos na ponte aerea". Imagino o pensamento deles todos. Neoliberais de merda!

Muitos sao mais novos que eu. E descubro uma sub-categoria dos homens de preto. Sao os que usam mochilas estilo alpinista (sociais?) e andam pela pista do Santos Dumont como se estivessem no SoHo. Tenho vontade de gritar: " ei, eu tambem trabalho! Tambem vivo na ponte-aerea e nao gosto disso!".

Olho para mim: tenis vans, bermuda jeans, camiseta, moleton de caveira e uma mochila Adidas anos 90 nas costas. Tenho a aparencia de uma hippie-punk-pedinte-maluca se comparada aos homens de preto. Quero gritar: " eu me visto assim mas eu tambem trabalho muito!".

Mas deixo para la os homens de preto e resolvo escrever uma cronica estupida. Um dia a gente acorda e descobre que virou hippie.

ps. sim, os acentos do computador sumiram momentaneamente mas decidi blogar assim mesmo.


Escrito por William às 18h31 [   ] [ envie esta mensagem ] [ ]





Inventário de um armário

Não, eu nunca jogo coisas fora do armário. Eu sei que é errado. Todos me dizem que tenho que trabalhar o desapego. Mas, antes disso, tenho que trabalhar de fato. Então, sim, fazia quatro anos que não rolava uma boa limpa no armário.Até que decidi me mudar de quarto e o armário precisava ser desmontado, assim como o resto da velha vida. Entrei dentro dele. E encontrei uma adorável vítima de modas, pechinchas, bazares (e principalmente de sua bagunça prática, mental e existencial)

Inventário:

3 calças de trocador de ônibus que eu amava usar nos anos de colegial (uma foi guardada de recordação)

3 calças de boca larga, muito larga, estilo pantalona. Para doação. Se alguém quiser.

3 blusas compradas no bazar do Reinaldo Lourenço que nunca foram usadas. Uma e de seda e, além de não fazer meu estilo, nunca será passada.

10 cuecas velhas, sem elásticos e feias jogadas no lixo

1 pichama de bichinho que nos anos 90 usei como modelo no VMB e achei que arrasei.

1 camiseta de um namorado que eu sei bem quem é e foi doada para a minha mãe (ele me entregou coisas uma vez em um saco de magipac e eu jamais faria o mesmo).

1 camiseta esquecida por uma amiga (doada, porque não era boa para a amiga, segundo eu em momento doida).

1 camisa vintage de outra amiga (guardada indefinitivamente até que ela sinta falta, segundo eu, em momento egoísta).

1 moleton de namorado desconhecido que foi doado para a mesma mãe. Talvez seja do mesmo namorado da camiseta, mas eu não colocaria no lsaco etc etc etc.

1 cueca de procedência absolutamente desconhecida que foi guardada porque deve dar sorte ter uma cueca guardada junto com as meias. Mas como ele conseguiu esquecer a cueca, meus sais? É meio pequena, de homem magro. O homem desconhecido pode pedir de volta se quiser, mas é meio velhinha.

1- camiseta da primeira vitória do Lula (guardada como recordação).

3 sapatos de bico muito fino estilo de bruxa que eram sucesso faz uns dois anos.

4 pares de tênis daqueles chamativos dos anos 90 (doados).

2 bermudas do Marcelo Sommer que causaram surto de ciúmes em um ex (doadas para a filha de uma amiga de 10 anos, eram realmente muuuito curtas).

1 bilhete de um ex namorado jogado fora. Não por mágoa, mas porque não fazia mais sentido.

4 bolsas de carteiro de jabá doadas

13 camisetas velhas e muito curtas ou muito justas que eu jamais usaria de novo.

O tempo passa. E eu, a vítima da moda, dos bazares, das roupas e, principalmente, de sua própria bagunça (mental, existencial e prática), acumula, acumula e acumula lixinhos variados. Mas todos fofos de alguma forma. Duas sacolas para doação. Mais umas duas caixas de livros ruins. E mais um pouco de espaço sobrando para coisas que um dia não vão mais prestar.


Escrito por William às 20h01 [   ] [ envie esta mensagem ] [ ]





Eeee vidão!

Sexta-feira, 22h25. Você no trabalho. Além de você, a moça da limpeza recolhe os lixos. A estagiária, coitada, também sobrou. Quer dizer, coitada nada, a estagiária é novinha, tem que trabalhar bastante.

Já eu, pensei que depois que virasse chefe ia poder ir ao cinema na sexta à noite.

Belo engano.

Minha cabeça dói. Daqui a pouco eu vou começar a fazer um programa sobre sexo.

E eu pensei que sexta à noite você fosse FAZER sexo com o pretê.

Outro engano.

E eu, que pensei, que se trabalhasse tanto, que nem desse pra ir ao cinema e nem coisas do tipo numa sexta à noite, fosse estar rico.

Mais um triste engano.

Ainda bem que amanhã é sábado.

 


Escrito por William às 19h53 [   ] [ envie esta mensagem ] [ ]



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BRASIL, Sudeste, SAO PAULO, Homem, de 20 a 25 anos, Spanish, French, Designer Gráfico e Colunista UOL Estilo.
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